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Essa semana o BACEN divulgou a Portaria que institui o processo de mobilidade para analistas, previamente à admissão de novos servidores (nº 66.926, de 31.8.2011, retificada pela Portaria nº 66.980). Isso representa um grande avanço, tanto para aqueles que já são funcionários, quanto para aqueles que pretendem ser.
Explico por que: o último concurso do BACEN, de 2009, foi realizado em nível nacional. Seu edital deixava claro que não seriam examinados pedidos de remoção entre praças de lotação dos candidatos aprovados antes da conclusão do período de estágio probatório. No ato da posse, os candidatos tiveram que firmar termo de compromisso, obrigando-se a permanecer em suas praças de lotação inicial pelo prazo acima citado.
Sendo o concurso em nível nacional, a maioria das vagas oferecidas era para Brasília ou São Paulo. Assim, grande parte dos candidatos aprovados acabou “migrando” para localidades diferentes do seu local de origem. Aqui em Brasília, todas as sextas-feiras, as mesmas “caras” se encontravam no aeroporto Juscelino Kubitschek. Eram pais e mães que voltavam para casa para ver seus filhos, maridos e esposas, namorados, ou solteiros retornando para ficar com a família. Foram dias muito difíceis para essas pessoas. Algumas chegaram a ter problemas de saúde por causa da distância das suas cidades, suas casas, suas famílias.
Quando se tem um sonho e enfim se consegue realizá-lo, como o caso de ser aprovado em um concurso disputado como o do BACEN, as pessoas ficam em “êxtase”, inundadas de alegria pela conquista que alcançaram. Durante o curso de formação, em 2010, o que se via era uma grande expectativa entre todos os que estavam participando. Também era uma energia positiva muito grande, pois todos estavam compartilhando do mesmo sentimento: comemoração, merecida, pelo esforço de cada um para estar ali. Mas, a medida em que o dia da posse ia se aproximando, os sentimentos começaram a ficar confusos, e já não eram mais os mesmos para todo mundo. Aqueles que conseguiram uma vaga em sua cidade de origem, estavam transbordando de felicidade. Os que tiveram que mudar de cidade, já começavam a sentir saudades antes mesmo de partir.
Aceitar o desafio de mudar de cidade foi uma decisão difícil para cada uma dessas pessoas. William Douglas já dizia em seu livro*: “Sonhos são gratuitos. Transformá-los em realidade tem um preço”. Para muitas pessoas, ser aprovado em um concurso público não é a parte mais difícil. O mais difícil é deixar pra trás aqueles que não podem acompanhá-las. Mas cada um tem um preço a pagar. E, com certeza, no final valeu a pena.
Após várias conversas e reuniões, o resultado foi positivo. A união entre essas pessoas, que compartilhavam o mesmo desejo de poderem retornar aos seus lares, fez com que esse processo de mobilidade se tornasse uma realidade. O departamento de pessoas do Banco Central conseguiu atender aos anseios de seus novos funcionários e agora as vagas existentes serão preenchidas, primeiramente, por aqueles que já estão trabalhando, e as remanescentes serão oferecidas aos candidatos que estão em curso de formação nesse momento.
Infelizmente, aos que estão em curso de formação restarão também algumas decisões difíceis, assim como aconteceu com os que já ingressaram na instituição no ano passado.
Mas a notícia boa é que é possível, sim, conseguir uma remoção no BACEN antes do fim do estágio probatório. No que depender do esforço do departamento de pessoas, no próximo ano novo concurso será realizado. E, esperamos, novo processo de mobilidade vai aliviar os corações daqueles que ainda não conseguiram retornar para seus “ninhos”.
Boa sorte a todos.
lissandrab@terra.com.br
* William Douglas é autor do livro Tudo o que você precisa saber sobre COMO PASSAR EM PROVAS E CONCURSOS e nunca teve a quem perguntar.
