Por: Superconcurseiro "Cyberdeck"
Bem amigos, agora estou entrando em uma nova fase de minha vida, na qual planejo me dedicar a concursos jurídicos. Acompanho o fórum a algum tempo, mas só vim a entrar nele agora. É um prazer conhece-los.
Bem amigos, agora estou entrando em uma nova fase de minha vida, na qual planejo me dedicar a concursos jurídicos. Acompanho o fórum a algum tempo, mas só vim a entrar nele agora. É um prazer conhece-los.
Antes de entrar nessa nova fase, gostaria de compartilhar com vocês este texto sobre minha jornada anterior. Ele não conta histórias épicas de estudos extremos como muitos casos de gente corajosa que vi aqui, mas além de ser uma história razoavelmente divetida, ela pode mostrar a muita gente que acha que não vai passar nunca, como com perseverança, até o que era muito dificil pode acabar acontecendo da forma mais improvável. Espero que gostem:
Bom... Pra começar, no final de 2006 eu finalmente terminei minha faculdade de Direito. Após anos trabalhando como um camelo pra pagar a faculdade (E só pra isso pois não sobrava dinheiro pra mais nada) e estudando como se fosse um cientista da NASA, eu dei um tempo em tudo. Foram alguns meses sem fazer praticamente nada. Daí, mais ou menos em abril de 2007 comecei a estudar pra passar no exame da OAB. E só. Decidi não trabalhar e não ia fazer mais nada. E assim se foram mais de 5 meses estudando diariamente. Eu não pensava mais em nada e não fazia mais nada. Estudava todas as matérias, decorava e memorizava o que podia. Ainda por cima, fazia diariamente a solução de provas da 1º fase. Pelo menos 100 questões. Todo dia.
O pouco dinheiro que consegui naquele tempo (Nem lembro como) eu guardei pra pagar os escorchantes R$ 180,00 da inscrição. Ou seja: Vida social, pessoal ou cultural ZERO. Chegou o dia da primeira fase. Quando li a prova, comecei a suar frio. Parecia que eu não sabia nada. Mas daí, eu comecei a fazer pelas matérias que tinha mais afinidade e levei umas quatro horas pra terminar tudo. Resultado: 57 acertos. Passei pra segunda. (São 100 questões. É preciso 50 acertos para ir para a segunda fase)
Para quem acha que há pressão na primeira fase. Você nem imagina o que é a segunda. Porque se você dançar na primeira, OK, já era. Mas ninguém quer nadar duas fases e morrer na praia. Passar na primeira também nos faz sentir vencedores, pois geralmente mais de 70% já ficam por ali mesmo. Assim, o medo aumenta exponencialmente na segunda fase. Não admira que muita gente sente o peso da responsabilidade e fracassa na segunda fase. Para fechar, a correção da segunda fase é completamente subjetiva. Se o cara que corrige sua prova estiver com hemorróidas ou se broxou ontem à noite, você dançou.
Assim, com todos estes bons pensamentos em mente, iniciei minha preparação pra segunda. Sem exagerar, foi um mês fazendo peças de cabeça, marcando códigos, e consultando livros. Eu lia, relia, marcava e copiava tudo o que podia.
Naquele tempo, não existia mais nada no mundo. Era exame, exame, exame... umas 10 horas por dia.
Assim, nem preciso dizer que quando chegou a hora do exame eu estava ultra pilhado. Serenidade interna, zero. Como eu tinha feito peças sem parar resolvi me apoiar na peça. Após 4 horas fazendo a maldita peça, percebi que tinha perdido a noção do tempo e não tinha nem ao menos olhado as questões (A prova da segunda fase é composta de 1 peça profissional que é baseada em um problema que te dão. A Peça vale até 5 pontos, e em 5 questões que valem 1 ponto cada. São necessários 6 pontos para passar)... Assim, eu tinha 1 hora para fazer 5 questões dificílimas e não estava nem mesmo com livros adequados pra isso. (Fui descobrir na hora da prova). Assim, após 4:50 de prova joguei a toalha, deixando até mesmo questões sem resposta. E não havia uma única questão que eu tinha certeza do que respondi. Ai, ai...
Tudo bem. Eu esperava a reprovação, mas pô!, 2 PONTOS! (A prova vale até 10) Eu tinha acertado a peça, o endereçamento, a tese, a jurisprudência... Nas questões não esperava nada, e como dizia o profeta: “De onde menos se espera daí é que não sai coisa nenhuma mesmo”, e como bombei de forma indiscutível nas questões, oficialmente, após meses do mais insano estudo, entrei pra gorda estatística dos Bacharéis derrubados pela prova da OAB.
Nem preciso dizer que o meu mundo caiu. Todo mundo ta pronto pra decepção, mas o que pega é a dose dela. Ninguém coloca meses da propria vida em algo e simplesmente fica impassível quando tudo vai pro raio que o parta. Assim, munido da revolta que Deus e a OAB me deram, mandei tudo à m*rda e fui ganhar algum dinheiro. Eu tava na lona, a meses não sabia o que era grana e tinha acabado de descobrir que a tudo tinha sido em vão. O que fazer?
Resolvi comprar uma moto fuleira (CG 84) e trabalhar faznedo bico de motoboy enquanto estudava. Mas me dei mal. A porcaria da moto não parava de quebrar. Praticamente paguei pra trabalhar durante meses com aquela ximbica. Era conserto todo dia (Sem exagero).
E nessa balada eu fui me dando mal e arriscando o couro durante uns 5 meses até que fiz amizade com um pessoal de uma construtora que eu atendia e fui convidado a trabalhar com eles. Era minha salvação da porcaria do bico de ser motoboy.
Até parece!
O pessoal daquela construtora era tão xarope, mas tão xarope, que em dois meses eu estava louco pra voltar pra rua! E em três, voltei. Não vou entrar em detalhes, mas trabalhar nesta construtora do qual não vou citar o nome provavelmente foi a pior coisa que fiz em minha vida profissional. E olha que minha vida profissional sempre foi uma grandessissima e renomada porcaria.
Aquela construtora me deu duas felicidades. Uma quando entrei, e outra. Imensamente, gigantesca e descomunalmente maior, quando saí.
Voltei pra rua, com outra moto. Uma CG 99. As quebras diminuíram, mas acabei chegando à conclusão que aquele negócio de motoboy não era pra mim. Fora o fato de eu ter curso superior (O que me dava um Atestado de perdedor por trabalhar em algo tão fuleiro), ainda tinha um aspecto do trabalho de motoboy que muito me irritava. Você chegava na droga da firma de motoboy às 8 da Matina. Ficava o dia inteiro na rua. Quando chegavam as 5 horas da tarde, sempre tinha um miserável de algum escritório de alguma empresa que te dava uma entrega la na casa do Kct, com um trânsito infernal. Aí essa pessoa após acabar com sua sua vida naquele dia, colocava a bundinha no carrinho dela e ia pra casa descansar, e você ia chegar em casa só la pelas 9 da noite. Se tiver sorte. Até que uma noite, minha sorte acabou.
A pá de cal em minha carreira de motoboy se deu quando eu fui atingido por uma Picape S10 dirigida por um cara bêbado em plena cidade de Taubaté às 8:30 da noite de uma Sexta Feira gelada. Não tinha como ser pior. Tive de voltar na Dutra, por mais de 100 Quilômetros, todo arrebentado, e com a moto toda torta. Cheguei em casa com a pena inchada e o braço absolutamente todo roxo às 3:30 da manhã para desespero de minha mulher. O tal bêbado ainda queria que eu pagasse a picape e tentou me agredir. Pior que isso só se eu tivesse sido preso e a moto tivesse pegado fogo.
Após tal roubada, ainda tive coragem pra trabalhar mais uma semana após me recuperar, e dei um basta. De volta aos estudos.
Começou a corrida para o próximo exame.
Estudei uns dois meses, coisa bem light, nada muito forçado, pois sabia que depois quando chegasse mesmo a época do exame, com a publicação do edital, é que o bicho ia pegar. Então me guardei pra tempestade que eu sabia, estava por vir.
Mas aí vieram as eleições.
Sempre gostei de participar de campanhas políticas, então um amigo de longa data me chamou pra ajudar em uma campanha de vereador. As condições:
- Ajuda de custo de R$ 300,00 ( 150,00 a cada 15 dias)
- Sem horário pra entrar e pra sair
- Não tinha promessa de emprego se ganhasse.
Como eu não tinha nada a perder, e precisava de grana, acreditei que poderia estudar e trabalhar na campanha ao mesmo tempo. Ledo engano. Com a equipe era minúscula o que não faltava era trabalho. Tempo era uma ilusão. Mas antes que eu fosse convidado para a campanha e que o bicho pegasse por lá, eu já tinha feito a inscrição pro exame da OAB, assim, mesmo sem estudar quase nada, eu não tinha escolha e fui fazer o exame. Dei uma fugidinha da campanha e fui fazer a prova aos trancos e barrancos, afinal, com 180 contos de inscrição colocados na roda, o mínimo que eu poderia fazer é tentar né?
Na hora que eu estava cara a cara com a prova pensei. “Não tem nada que eu possa fazer”, então toquei o f*da-se e fiz a prova de cabeça fria. Fui um dos primeiros a terminar. Saí e voltei pra campanha e esqueci que tal prova existiu.
Quando eu peguei o resultado, claro, não passei. Mas apenas por duas questões (Acertei 48). Puxa! Mas que coisa! Resolvi esquecer o assunto.
Daí uns dias depois, em uma reunião do partido, encontrei um experiente advogado que trabalhou para a partido e contei como havia falhado vergonhosamente. Ele perguntou se eu havia olhado a lista dos recursos e questões anuladas.
Eu tinha esquecido.
Quando questões são anuladas, a nota pra passar baixa, então ao invés de 50 questões você pode passar com 49 ou 48. Assim, gente que bateu na trave pode entrar com bola e tudo.
Assim, após uma ligação do mesmo advogado uns dias depois pra me avisar que a lista de recursos havia saído. Fui consultar e EITA!!! Meu nome estava lá.
Mas não deu nem tempo pra comemorar. Como eu achei que tinha bombado de primeira fase, eu não estudei nada. E a lista de repescagem costuma sair UMA SEMANA antes da segunda fase. Era o tempo pra estudar que eu tinha.Tinha de fazer em uma semana o que meses antes eu não tinha feito em um mês.
Como estávamos já no segundo turno, com o vereador eleito (Sim, eu passei na primeira fase da OAB e ajudei a eleger um vereador ao mesmo tempo), estávamos apenas ajudando o candidato a prefeito do outro partido, então como estava tudo calmo, pedi pro pessoal da campanha para ficar uma semana em casa internado estudando. Fui atendido e comecei uma Maratona de muito estudo, mas sem pânico. Tratei de comprar livros que precisava com o dinheiro que ganhei na campanha (Os mesmos livros que haviam me faltado da outra vez) e revi tudo o que havia estudado anteriormente. Percebi que não tinha esquecido tanto assim e como meus livros já estavam marcados pude ganhar tempo e estudar coisas que não tinha visto antes. 12 horas por dia de estudo, durante uma semana.
No dia da segunda fase, eu sabia que tinha feito tudo o que podia, e como já estava muito no lucro só de chegar ali, também fiz a segunda fase de cabeça fria. Primeiro, achei todos os artigos que respondiam as perguntas e que instruíam a peça. Depois, rascunhei a peça. Por fim passei a peça a limpo e com base nos artigos que já tinha marcado, respondi a TODAS as perguntas.
Assim, eu não sabia se estava com as respostas certas, mas com certeza não estava com a prova incompleta. Tempo total: 4 horas e meia (tem gente até hoje que não acredita que deu tempo de fazer rascunho).
Após o tempo do medo, quando eu não tinha coragem de ver o resultado (outra reprovação ia doer pra caramba) eu me enchi de coragem, procurei e me achei na lista de aprovados da 2º fase (Nota 8).
Cara... Não da pra descrever. É como diria um amigo meu “a sensação de estar recebendo um carinho na alma”. É serio... Agora entendo como aquele pessoal que escalou o Everest se sente quando olha pra baixo. Realizar algo pro qual você se preparou por 7 anos (5 de faculdade e 2 de tentativa) é algo que não dá pra descrever em palavras, mais ainda quando você acreditava piamente que não ia dar.
Antes eu não tinha passado em condições praticamente perfeitas, e agora eu tinha conseguido aos trancos e barrancos. Chega a ser assustador. O Baque foi tanto que só acreditei mesmo quando recebi meu numero da OAB. Pra coroar o êxito, o vereador que ajudei a eleger foi bem agradecido e apesar de não ter me prometido emprego, hoje trabalho pra ele.
Foi uma epopéia, mas finalmente chegou ao fim. E este texto é um fechamento deste capítulo da minha vida e a abertura de uma nova fase que na verdade já começou, isto aqui é só pra oficializar e pra compartilhar com vocês acontecimentos que há muito tempo eu queria narrar mas não tinha tido oportunidade.
Algumas conclusões da minha jornada:
- ACREDITE um dia você passa;
- Calma na hora da prova é fundamental. Metade do estudo e muita calma deram mais resultado que o dobro de estudo e pouca calma.
- Se for sua hora de passar, você vai passar. Basta ter a paciência de esperar estudando.
- Se não deu nessa, não se preocupe. Virão outras.
- Estudar de maneira séria e comprometida pode te fazer lembrar a matéria meses depois.
- Cursinho é bom. Mas também pode-se fazer as coisas sem ele.
- Na segunda fase tinha gente com CARRINHOS de livros. (A prova é com consulta). Mas eu passei com material suficiente pra carregar nos braços. Não importa a quantidade de material, e sim se é de boa qualidade e se você o conhece bem.
- Não desista. Se for sua vez, até mesmo em condições adversas você vai passar.
Espero que tenham gostado de ler, tanto quanto eu gostei de escrever.
Um grande abraço a todos.
Autor: Superconcurseiro "Cyberdeck"
Modificado em Sáb, 17 de Abril de 2010 15:45
Bom... Pra começar, no final de 2006 eu finalmente terminei minha faculdade de Direito. Após anos trabalhando como um camelo pra pagar a faculdade (E só pra isso pois não sobrava dinheiro pra mais nada) e estudando como se fosse um cientista da NASA, eu dei um tempo em tudo. Foram alguns meses sem fazer praticamente nada. Daí, mais ou menos em abril de 2007 comecei a estudar pra passar no exame da OAB. E só. Decidi não trabalhar e não ia fazer mais nada. E assim se foram mais de 5 meses estudando diariamente. Eu não pensava mais em nada e não fazia mais nada. Estudava todas as matérias, decorava e memorizava o que podia. Ainda por cima, fazia diariamente a solução de provas da 1º fase. Pelo menos 100 questões. Todo dia.
O pouco dinheiro que consegui naquele tempo (Nem lembro como) eu guardei pra pagar os escorchantes R$ 180,00 da inscrição. Ou seja: Vida social, pessoal ou cultural ZERO. Chegou o dia da primeira fase. Quando li a prova, comecei a suar frio. Parecia que eu não sabia nada. Mas daí, eu comecei a fazer pelas matérias que tinha mais afinidade e levei umas quatro horas pra terminar tudo. Resultado: 57 acertos. Passei pra segunda. (São 100 questões. É preciso 50 acertos para ir para a segunda fase)
Para quem acha que há pressão na primeira fase. Você nem imagina o que é a segunda. Porque se você dançar na primeira, OK, já era. Mas ninguém quer nadar duas fases e morrer na praia. Passar na primeira também nos faz sentir vencedores, pois geralmente mais de 70% já ficam por ali mesmo. Assim, o medo aumenta exponencialmente na segunda fase. Não admira que muita gente sente o peso da responsabilidade e fracassa na segunda fase. Para fechar, a correção da segunda fase é completamente subjetiva. Se o cara que corrige sua prova estiver com hemorróidas ou se broxou ontem à noite, você dançou.
Assim, com todos estes bons pensamentos em mente, iniciei minha preparação pra segunda. Sem exagerar, foi um mês fazendo peças de cabeça, marcando códigos, e consultando livros. Eu lia, relia, marcava e copiava tudo o que podia.
Naquele tempo, não existia mais nada no mundo. Era exame, exame, exame... umas 10 horas por dia.
Assim, nem preciso dizer que quando chegou a hora do exame eu estava ultra pilhado. Serenidade interna, zero. Como eu tinha feito peças sem parar resolvi me apoiar na peça. Após 4 horas fazendo a maldita peça, percebi que tinha perdido a noção do tempo e não tinha nem ao menos olhado as questões (A prova da segunda fase é composta de 1 peça profissional que é baseada em um problema que te dão. A Peça vale até 5 pontos, e em 5 questões que valem 1 ponto cada. São necessários 6 pontos para passar)... Assim, eu tinha 1 hora para fazer 5 questões dificílimas e não estava nem mesmo com livros adequados pra isso. (Fui descobrir na hora da prova). Assim, após 4:50 de prova joguei a toalha, deixando até mesmo questões sem resposta. E não havia uma única questão que eu tinha certeza do que respondi. Ai, ai...
Tudo bem. Eu esperava a reprovação, mas pô!, 2 PONTOS! (A prova vale até 10) Eu tinha acertado a peça, o endereçamento, a tese, a jurisprudência... Nas questões não esperava nada, e como dizia o profeta: “De onde menos se espera daí é que não sai coisa nenhuma mesmo”, e como bombei de forma indiscutível nas questões, oficialmente, após meses do mais insano estudo, entrei pra gorda estatística dos Bacharéis derrubados pela prova da OAB.
Nem preciso dizer que o meu mundo caiu. Todo mundo ta pronto pra decepção, mas o que pega é a dose dela. Ninguém coloca meses da propria vida em algo e simplesmente fica impassível quando tudo vai pro raio que o parta. Assim, munido da revolta que Deus e a OAB me deram, mandei tudo à m*rda e fui ganhar algum dinheiro. Eu tava na lona, a meses não sabia o que era grana e tinha acabado de descobrir que a tudo tinha sido em vão. O que fazer?
Resolvi comprar uma moto fuleira (CG 84) e trabalhar faznedo bico de motoboy enquanto estudava. Mas me dei mal. A porcaria da moto não parava de quebrar. Praticamente paguei pra trabalhar durante meses com aquela ximbica. Era conserto todo dia (Sem exagero).
E nessa balada eu fui me dando mal e arriscando o couro durante uns 5 meses até que fiz amizade com um pessoal de uma construtora que eu atendia e fui convidado a trabalhar com eles. Era minha salvação da porcaria do bico de ser motoboy.
Até parece!
O pessoal daquela construtora era tão xarope, mas tão xarope, que em dois meses eu estava louco pra voltar pra rua! E em três, voltei. Não vou entrar em detalhes, mas trabalhar nesta construtora do qual não vou citar o nome provavelmente foi a pior coisa que fiz em minha vida profissional. E olha que minha vida profissional sempre foi uma grandessissima e renomada porcaria.
Aquela construtora me deu duas felicidades. Uma quando entrei, e outra. Imensamente, gigantesca e descomunalmente maior, quando saí.
Voltei pra rua, com outra moto. Uma CG 99. As quebras diminuíram, mas acabei chegando à conclusão que aquele negócio de motoboy não era pra mim. Fora o fato de eu ter curso superior (O que me dava um Atestado de perdedor por trabalhar em algo tão fuleiro), ainda tinha um aspecto do trabalho de motoboy que muito me irritava. Você chegava na droga da firma de motoboy às 8 da Matina. Ficava o dia inteiro na rua. Quando chegavam as 5 horas da tarde, sempre tinha um miserável de algum escritório de alguma empresa que te dava uma entrega la na casa do Kct, com um trânsito infernal. Aí essa pessoa após acabar com sua sua vida naquele dia, colocava a bundinha no carrinho dela e ia pra casa descansar, e você ia chegar em casa só la pelas 9 da noite. Se tiver sorte. Até que uma noite, minha sorte acabou.
A pá de cal em minha carreira de motoboy se deu quando eu fui atingido por uma Picape S10 dirigida por um cara bêbado em plena cidade de Taubaté às 8:30 da noite de uma Sexta Feira gelada. Não tinha como ser pior. Tive de voltar na Dutra, por mais de 100 Quilômetros, todo arrebentado, e com a moto toda torta. Cheguei em casa com a pena inchada e o braço absolutamente todo roxo às 3:30 da manhã para desespero de minha mulher. O tal bêbado ainda queria que eu pagasse a picape e tentou me agredir. Pior que isso só se eu tivesse sido preso e a moto tivesse pegado fogo.
Após tal roubada, ainda tive coragem pra trabalhar mais uma semana após me recuperar, e dei um basta. De volta aos estudos.
Começou a corrida para o próximo exame.
Estudei uns dois meses, coisa bem light, nada muito forçado, pois sabia que depois quando chegasse mesmo a época do exame, com a publicação do edital, é que o bicho ia pegar. Então me guardei pra tempestade que eu sabia, estava por vir.
Mas aí vieram as eleições.
Sempre gostei de participar de campanhas políticas, então um amigo de longa data me chamou pra ajudar em uma campanha de vereador. As condições:
- Ajuda de custo de R$ 300,00 ( 150,00 a cada 15 dias)
- Sem horário pra entrar e pra sair
- Não tinha promessa de emprego se ganhasse.
Como eu não tinha nada a perder, e precisava de grana, acreditei que poderia estudar e trabalhar na campanha ao mesmo tempo. Ledo engano. Com a equipe era minúscula o que não faltava era trabalho. Tempo era uma ilusão. Mas antes que eu fosse convidado para a campanha e que o bicho pegasse por lá, eu já tinha feito a inscrição pro exame da OAB, assim, mesmo sem estudar quase nada, eu não tinha escolha e fui fazer o exame. Dei uma fugidinha da campanha e fui fazer a prova aos trancos e barrancos, afinal, com 180 contos de inscrição colocados na roda, o mínimo que eu poderia fazer é tentar né?
Na hora que eu estava cara a cara com a prova pensei. “Não tem nada que eu possa fazer”, então toquei o f*da-se e fiz a prova de cabeça fria. Fui um dos primeiros a terminar. Saí e voltei pra campanha e esqueci que tal prova existiu.
Quando eu peguei o resultado, claro, não passei. Mas apenas por duas questões (Acertei 48). Puxa! Mas que coisa! Resolvi esquecer o assunto.
Daí uns dias depois, em uma reunião do partido, encontrei um experiente advogado que trabalhou para a partido e contei como havia falhado vergonhosamente. Ele perguntou se eu havia olhado a lista dos recursos e questões anuladas.
Eu tinha esquecido.
Quando questões são anuladas, a nota pra passar baixa, então ao invés de 50 questões você pode passar com 49 ou 48. Assim, gente que bateu na trave pode entrar com bola e tudo.
Assim, após uma ligação do mesmo advogado uns dias depois pra me avisar que a lista de recursos havia saído. Fui consultar e EITA!!! Meu nome estava lá.
Mas não deu nem tempo pra comemorar. Como eu achei que tinha bombado de primeira fase, eu não estudei nada. E a lista de repescagem costuma sair UMA SEMANA antes da segunda fase. Era o tempo pra estudar que eu tinha.Tinha de fazer em uma semana o que meses antes eu não tinha feito em um mês.
Como estávamos já no segundo turno, com o vereador eleito (Sim, eu passei na primeira fase da OAB e ajudei a eleger um vereador ao mesmo tempo), estávamos apenas ajudando o candidato a prefeito do outro partido, então como estava tudo calmo, pedi pro pessoal da campanha para ficar uma semana em casa internado estudando. Fui atendido e comecei uma Maratona de muito estudo, mas sem pânico. Tratei de comprar livros que precisava com o dinheiro que ganhei na campanha (Os mesmos livros que haviam me faltado da outra vez) e revi tudo o que havia estudado anteriormente. Percebi que não tinha esquecido tanto assim e como meus livros já estavam marcados pude ganhar tempo e estudar coisas que não tinha visto antes. 12 horas por dia de estudo, durante uma semana.
No dia da segunda fase, eu sabia que tinha feito tudo o que podia, e como já estava muito no lucro só de chegar ali, também fiz a segunda fase de cabeça fria. Primeiro, achei todos os artigos que respondiam as perguntas e que instruíam a peça. Depois, rascunhei a peça. Por fim passei a peça a limpo e com base nos artigos que já tinha marcado, respondi a TODAS as perguntas.
Assim, eu não sabia se estava com as respostas certas, mas com certeza não estava com a prova incompleta. Tempo total: 4 horas e meia (tem gente até hoje que não acredita que deu tempo de fazer rascunho).
Após o tempo do medo, quando eu não tinha coragem de ver o resultado (outra reprovação ia doer pra caramba) eu me enchi de coragem, procurei e me achei na lista de aprovados da 2º fase (Nota 8).
Cara... Não da pra descrever. É como diria um amigo meu “a sensação de estar recebendo um carinho na alma”. É serio... Agora entendo como aquele pessoal que escalou o Everest se sente quando olha pra baixo. Realizar algo pro qual você se preparou por 7 anos (5 de faculdade e 2 de tentativa) é algo que não dá pra descrever em palavras, mais ainda quando você acreditava piamente que não ia dar.
Antes eu não tinha passado em condições praticamente perfeitas, e agora eu tinha conseguido aos trancos e barrancos. Chega a ser assustador. O Baque foi tanto que só acreditei mesmo quando recebi meu numero da OAB. Pra coroar o êxito, o vereador que ajudei a eleger foi bem agradecido e apesar de não ter me prometido emprego, hoje trabalho pra ele.
Foi uma epopéia, mas finalmente chegou ao fim. E este texto é um fechamento deste capítulo da minha vida e a abertura de uma nova fase que na verdade já começou, isto aqui é só pra oficializar e pra compartilhar com vocês acontecimentos que há muito tempo eu queria narrar mas não tinha tido oportunidade.
Algumas conclusões da minha jornada:
- ACREDITE um dia você passa;
- Calma na hora da prova é fundamental. Metade do estudo e muita calma deram mais resultado que o dobro de estudo e pouca calma.
- Se for sua hora de passar, você vai passar. Basta ter a paciência de esperar estudando.
- Se não deu nessa, não se preocupe. Virão outras.
- Estudar de maneira séria e comprometida pode te fazer lembrar a matéria meses depois.
- Cursinho é bom. Mas também pode-se fazer as coisas sem ele.
- Na segunda fase tinha gente com CARRINHOS de livros. (A prova é com consulta). Mas eu passei com material suficiente pra carregar nos braços. Não importa a quantidade de material, e sim se é de boa qualidade e se você o conhece bem.
- Não desista. Se for sua vez, até mesmo em condições adversas você vai passar.
Espero que tenham gostado de ler, tanto quanto eu gostei de escrever.
Um grande abraço a todos.
Autor: Superconcurseiro "Cyberdeck"
Prepare-se com:
|
De:
R$ 79,00
Por: R$ 47,00 ou 3x de R$ 15,67 sem juros |
De:
R$ 55,00
Por: R$ 43,00 ou 3x de R$ 14,33 sem juros |
De:
R$ 59,00
Por: R$ 45,00 ou 3x de R$ 15,00 sem juros |




